O que é?*
O Grito dos Excluídos é uma manifestação popular carregada de simbolismo, é um espaço de animação e profecia, sempre aberto e plural de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos.
O Grito é uma descoberta, uma vez que agentes e lideranças apenas abrem um canal para que o Grito sufocado venha a público.
O Grito brota do chão e encontra em seus organizadores suficiente sensibilidade para dar-lhe forma e visibilidade. O Grito não tem um “dono”, não é da Igreja, do Sindicato, da Pastoral; não se caracteriza por discursos de lideranças, nem pela centralização dos seus atos; o ecumenismo é vivido na prática das lutas, pois entendemos que os momentos e celebrações ecumênicas são importantes para fortalecer o compromisso.
Todos os lutadores sociais amanhã na esquina da Uruguaiana com a Presidente Vargas!
Ocupar as ruas e as praças por liberdade e direitos!
Pelo poder popular!
Link para o evento no Facebook:
https://www.facebook.com/events/427383097400534/?fref=ts
*"O que é?" foi retirado de: http://www.gritodosexcluidos.org/historia/
6 de set. de 2014
11 de ago. de 2014
“Diz que é comunista mas usa Iphone!”. Mas o telefone celular foi inventado por um comunista!
“Diz que é comunista mas usa um Iphone!”. Quem nunca escutou esta frase, geralmente em tom histérico ou irônico, deste ou daquele direitista ignorante metido a conhecedor da história e da obra de Marx? A revelação que fará este artigo deixará a muitos puxa-sacos dos capitalistas inquietos, talvez até irritados. Certamente, ao usar um clichê tão ridículo, eles ignoram que uma invenção que estão acostumados a usar foi concebida originalmente em um país socialista.
Segundo a lenda, “o primeiro telefone celular foi inventado nos EUA”. Ela insiste em que em 3 de abril de 1973, o diretor da companhia Motorola, Martin Kutcher, apresentou em Manhattan um dispositivo de telefonia móvel em uma exposição. Até 1979, a Travel Eletronics não passaria a comercializá-lo. Pesava quase 1 kg e seu valor era de aproximadamente uns $3700,00. O custo da conexão era de 24 a 40 centavos por minuto.
Qualquer um que busque algo relacionado com o nome de Leonid Ivanovich Kupriyanovich se dará conta de que apenas sabe uma parte da história. O inventor comunista russo era um famoso engenheiro, conhecido por suas invenções na área de comunicação. Em 1955, publicou em uma revista científica para amantes do rádio uma descrição de seu aparato walkie-talkie, capaz de fazer conexões de até 1,5 km de distância. Pesava cerca de 1,2 kg e funcionava com dois tubos de vácuo.
Em 1957 apresentou a mesma versão de seu walkie-talkie, mas desta vez com um alcance de 2 km de distância e com um peso de 50 gramas. Mas o engenheiro comunista não se deteve aí, no mesmo ano apresentou o LK-1, um telefone celular que usava ondas de rádio, tinha um alcance de 20 a 30 km de distância e uma bateria que durava de 20 a 30 horas. O dispositivo manual pesava cerca de 3 kg e dependia de uma estação. Segundo Leonid Ivanovich, a estação podia servir a vários clientes ao mesmo tempo. O inventor soviético patenteou seu telefone celular em 1957 (Certificado nº115494, 1.11.1957). Em 1958, no instituto de investigação Científica de Voronej (VNIIS), Kupriyanovich começou a busca por um sistema próprio de comunicação móvel. Suas descobertas científicas eram constantemente publicados na revista mais famosa sobre tecnologia editada na União Soviética, a “Nauza i Jizn” (Ciência e Vida).
Kupriyanov experimenta o seu LK-1 enquanto lê um livro em um carro
Kupriyanovich testa e exibe sua invenção: o aparelho celular
Em 1961, o engenheiro comunista da União Soviética desenvolveu um dispositivo ainda menor, que cabia na palma da mão e tinha um alcance de mais de 30 km. No mesmo ano foi planejada a fabricação deste objeto em grande escala, segundo uma entrevista dada por Leonid à agência de notícias APN. O inventor também falou sobre o plano de construir estações de telefonia móvel.
Celulares nas décadas de 50 e posteriores na URSS, compatíveis com uma capa ou terno
Então, da próxima vez que vier alguém dizendo isso de que “um comunista de verdade não usa telefone celular” ou que “o Iphone é capitalista”, faça o favor de lembrá ao pobre ignorante que a invenção que usa foi criada pelo comunista Leonid Ivanovich Kupriyanovich e que se criou na URSS e não nos EUA. Sua patente é uma prova disso.
Patente-da-invencao-de-Kupriyanov
Estes argumentos escatológicos são facilmente refutados com investigação e leitura, com o conhecimento dos clássicos do marxismo-leninismo, que revelam que seus mestre sempre se mostraram favoráveis à tecnologia. Karl Marx escreveu na “Crítica ao programa de Gotha” que era necessário que os trabalhadores desfrutassem de conforto material no socialismo. Marx e Engels eram entusiastas do progresso industrial, mas condenaram os métodos pelos quais foi alcançado. Lenin era um entusiasta da tecnologia, e em sua obra política enfatiza que o comunismo dependeria do poder soviético mais a eletrificação de todo o país ( a eletricidade era, então, talvez a mais avançada forma de tecnologia humana em sua época). A era de Stalin permitiu ao homem e à mulher soviético(a) dominar a força que gera o sol, a energia nuclear. Che Guevara, aluno deste último, costumava apresentar a democratização da tecnologia como uma das definições do socialismo. Logo, longe de ser proibido ao operário ter um Ipad ou um Iphone, este pode ficar com a consciência tranquila de que é plenamente comunista levar um telefone celular (especialmente se tiver um fundo de tela comunista para irritar aos anticomunistas), uma invenção de um gênio comunista soviético que facilita e dinamiza as telecomunicações.
Fontes de pesquisa:
- Muzey Oborony Mozga (Museo de la defensa del cerebro). El teléfono soviético de Kupriyanov. Disponible en: http://brainexpo.livejournal.com/8873.html
- El primer teléfono móvil del mundo. Artículo de la página web “Rossii”. Disponible en: http://www.opoccuu.com/pervyj-mobilnik.htm
- El 9 de abril de 1957, na URSS, fue construido el primer telefóno móvil del mundo. Artículo de la página web “Za russkoe”. Disponible en: http://www.zrd.spb.ru/news/2013-01/news-0286.htm
- WIKIPEDIA. Artículo biográfico de Leonid Ivanovich Kupriyanovich. Disponible en: http://ru.wikipedia.org/wiki/%D0%9A%D1%83%D0%BF%D1%80%D0%B8%D1%8F%D0%BD%D0%BE%D0%B2%D0%B8%D1%87,_%D0%9B%D0%B5%D0%BE%D0%BD%D0%B8%D0%B4_%D0%98%D0%B2%D0%B0%D0%BD%D0%BE%D0%B2%D0%B8%D1%87
(Tradução: JCA. Por Cultura Proletária)
9 de ago. de 2014
Você sabia que no Brasil você ainda pode ser julgado por um Tribunal Militar?
Qualquer civil pode virar réu da justiça militar caso seja acusado de desacato ou outras formas de insubordinação contra membros das Forças Armadas.
A boa notícia é que a Procuradoria Geral da República entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal para acabar com esse absurdo e o voto do STF deve ocorrer ainda esse ano!
Sabemos que os militares não querem abrir mão de privilégios e já estão se articulando para pressionar os ministros do STF.
SAIBA MAIS EM: http://desmilitarizacaodajustica.meurio.org.br/
A JUSTIÇA MILITAR DA UNIÃO É...
Injusta
Obedece a Códigos impostos em 1969, auge da Ditadura
Cara
O custo médio de cada processo é 55 vezes mais alto que na Justiça Federal
Improdutiva
Cada juíz julga em média 47 processos por ano, contra 1.751 na Justiça Federal
Feita para condenar
A defesa só pode chamar 3 testemunhas: a acusação pode chamar até 6
HISTÓRIA REAL: T. R, 26 ANOS, AGREDIDA POR MILITARES E CONDENADA A 6 MESES DE PRISÃO
Complexo do Alemão, 2011. Era madrugada quando T.R, então com 22 anos, saiu de casa para ajudar seu vizinho, que gritava por socorro enquanto era colocado em um jipe por militares. Sem entender o que acontecia, ela pediu para falar com ele, mas recebeu em troca um tiro de borracha no pé esquerdo, 3 dedos quebrados, e uma prisão.
No hospital onde foi atendida naquele dia, T se recusou a assinar um papel em branco apresentado por um oficial militar. Teve voz de prisão e foi acusada de desacato e outros crimes.
T. foi condenada a 6 meses de prisão pela primeira instância da Justiça Militar da União, que usou testemunhos de militares do próprio grupamento que a agrediu. O Superior Tribunal Militar manteve a decisão, e T. cumpre pena em regime aberto.
Os militares envolvidos no caso não foram processados.
EM TODAS AS INSTÂNCIAS, MILITARES DA ATIVA CONTROLAM A DECISÃO
Passo 1:
O cidadão é acusado de crime militar por um membro das Forças Armadas. Ele será julgado pela primeira instância da Justiça Militar da União.
1ª Instância
- O civil é julgado por 5 juízes, dos quais:
- Quatro são militares da ativa, sem exigência de formação jurídica.
- Um civil concursado, formado em direito.
Passo 2:
Após sentença, a parte insatisfeita pode recorrer da decisão. Assim, o caso será analisado pelo Superior Tribunal Militar (STM).
2ª Instância
- O civil enfrenta o STM formado por 15 juízes, dos quais:
- 10 são militares da ativa, de alta patente como general, brigadeiro e almirante. E também não precisam ter formação jurídica.
- Cinco são civis concursados, formados em direito.
Passo 3:
Ao contrário da Justiça Federal, onde caberia mais um recurso antes do Supremo, na Justiça Militar da União isso não é possível.
INOCENTES PODEM FACILMENTE ACABAR NO BANCO DE RÉUS
Qualquer pessoa acusada de cometer crime contra militares ou instituições militares federais pode ser julgado por um Tribunal Militar da União, sem necessidade de validação de provas pela Justiça civil.
Com a ocupação militar de espaços urbanos, cidadãos convivem com abordagens truculentas de militares que se sentem protegidos por um sistema de Justiça no qual eles mesmos estão no comando.
Exemplos de ocupações militares e outros contextos em que forças militares foram utilizadas dentro de espaços urbanos incluem:
Fontes:
Código Penal Militar:
Código de Processo Penal Militar
Resumo dos principais argumentos técnico-jurídicos contra o julgamento de civis em tribunais militares: https://docs.google.com/a/meurio.org.br/document/d/1fU-7auGLXaZRxU3eAuavAR_6bQ4ol4hTnMnMWrI0HvY/edit
Tabela comparativa dos custos de processos da Justiça Militar da União e processos da Justiça Federal:
Joaquim Barbosa critica gastos da Justiça Militar:
Exército no morro da Providência:
Forças Armadas assumem ocupação de 15 comunidades da Maré no Rio:
Moradores protestam após Exército matar homem em favela da Maré:
Militares ocupam favela de Santo Amaro:
Forças Armadas no Alemão:
Balanço da presença militar no Alemão:
Forças Armadas fazem segurança pública na Bahia:
Governo pede ajuda à Força Nacional e ao Exército para substituir PM em Pernambuco:
Força Nacional terá 10 mil agentes para contenção de protestos na Copa:
http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2014/01/03/forca-nacional-tera-tropa-de-choque-com-10-mil-agentes-na-copa-do-mundo.htm
A boa notícia é que a Procuradoria Geral da República entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal para acabar com esse absurdo e o voto do STF deve ocorrer ainda esse ano!
Sabemos que os militares não querem abrir mão de privilégios e já estão se articulando para pressionar os ministros do STF.
SAIBA MAIS EM: http://desmilitarizacaodajustica.meurio.org.br/
A JUSTIÇA MILITAR DA UNIÃO É...
Injusta
Obedece a Códigos impostos em 1969, auge da Ditadura
Cara
O custo médio de cada processo é 55 vezes mais alto que na Justiça Federal
Improdutiva
Cada juíz julga em média 47 processos por ano, contra 1.751 na Justiça Federal
Feita para condenar
A defesa só pode chamar 3 testemunhas: a acusação pode chamar até 6
HISTÓRIA REAL: T. R, 26 ANOS, AGREDIDA POR MILITARES E CONDENADA A 6 MESES DE PRISÃO
Complexo do Alemão, 2011. Era madrugada quando T.R, então com 22 anos, saiu de casa para ajudar seu vizinho, que gritava por socorro enquanto era colocado em um jipe por militares. Sem entender o que acontecia, ela pediu para falar com ele, mas recebeu em troca um tiro de borracha no pé esquerdo, 3 dedos quebrados, e uma prisão.
No hospital onde foi atendida naquele dia, T se recusou a assinar um papel em branco apresentado por um oficial militar. Teve voz de prisão e foi acusada de desacato e outros crimes.
T. foi condenada a 6 meses de prisão pela primeira instância da Justiça Militar da União, que usou testemunhos de militares do próprio grupamento que a agrediu. O Superior Tribunal Militar manteve a decisão, e T. cumpre pena em regime aberto.
Os militares envolvidos no caso não foram processados.
EM TODAS AS INSTÂNCIAS, MILITARES DA ATIVA CONTROLAM A DECISÃO
Passo 1:
O cidadão é acusado de crime militar por um membro das Forças Armadas. Ele será julgado pela primeira instância da Justiça Militar da União.
1ª Instância
- O civil é julgado por 5 juízes, dos quais:
- Quatro são militares da ativa, sem exigência de formação jurídica.
- Um civil concursado, formado em direito.
Passo 2:
Após sentença, a parte insatisfeita pode recorrer da decisão. Assim, o caso será analisado pelo Superior Tribunal Militar (STM).
2ª Instância
- O civil enfrenta o STM formado por 15 juízes, dos quais:
- 10 são militares da ativa, de alta patente como general, brigadeiro e almirante. E também não precisam ter formação jurídica.
- Cinco são civis concursados, formados em direito.
Passo 3:
Ao contrário da Justiça Federal, onde caberia mais um recurso antes do Supremo, na Justiça Militar da União isso não é possível.
INOCENTES PODEM FACILMENTE ACABAR NO BANCO DE RÉUS
Qualquer pessoa acusada de cometer crime contra militares ou instituições militares federais pode ser julgado por um Tribunal Militar da União, sem necessidade de validação de provas pela Justiça civil.
Com a ocupação militar de espaços urbanos, cidadãos convivem com abordagens truculentas de militares que se sentem protegidos por um sistema de Justiça no qual eles mesmos estão no comando.
Exemplos de ocupações militares e outros contextos em que forças militares foram utilizadas dentro de espaços urbanos incluem:
Fontes:
ADPF 289 na íntegra:
Pedido do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ ao STF para participação no processo da ADPF 289: https://drive.google.com/file/d/0BzUIovYgDwXVMDJRVWhseTFZQ0k/edit?usp=sharingCódigo Penal Militar:
Código de Processo Penal Militar
Resumo dos principais argumentos técnico-jurídicos contra o julgamento de civis em tribunais militares: https://docs.google.com/a/meurio.org.br/document/d/1fU-7auGLXaZRxU3eAuavAR_6bQ4ol4hTnMnMWrI0HvY/edit
Tabela comparativa dos custos de processos da Justiça Militar da União e processos da Justiça Federal:
https://docs.google.com/a/meurio.org.br/document/d/1vx4amJBLZGwhM_LTP_hYy5eiLlrKcb6zFaVWfXzvW44/edit
Pesquisa "JUSTIÇA EM NÚMEROS 2013" - CNJ. Usada como base para Tabela Comparatica dos custos de processos.: http://www.cnj.jus.br/images/stories/docs_cnj/resolucao/rescnj_76anexobii.pdfJoaquim Barbosa critica gastos da Justiça Militar:
Exército no morro da Providência:
Forças Armadas assumem ocupação de 15 comunidades da Maré no Rio:
Moradores protestam após Exército matar homem em favela da Maré:
Militares ocupam favela de Santo Amaro:
Forças Armadas no Alemão:
Balanço da presença militar no Alemão:
Forças Armadas fazem segurança pública na Bahia:
Governo pede ajuda à Força Nacional e ao Exército para substituir PM em Pernambuco:
Força Nacional terá 10 mil agentes para contenção de protestos na Copa:
http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2014/01/03/forca-nacional-tera-tropa-de-choque-com-10-mil-agentes-na-copa-do-mundo.htm
7 de ago. de 2014
Boas notícias: EBSERH barrada no Conselho Universitário da UNIRIO.
Por que barrar a EBSERH? Saiba em em: http://www.contraprivatizacao.com.br/ - Fórum Nacional Contra a Privatização da Saúde
2 de jun. de 2014
O mantra maligno do “Ame o que você faz, faça o que você ama”*
O novo mantra do trabalho na pós-modernidade[2] é o “ame o que você faz, faça o que você ama”. Devemos amar o que fazemos para não percebermos que estamos trabalhando. Para, no fim das contas, não ser um trabalho, mas um prazer. O trabalho[3], por usa vez, deve ser aquilo que nós amamos – devemos fazer o que amamos e amar o que fazemos, a relação deve ser de duas vias. Entretanto, este mantra não é somente um conselho da pós-modernidade para seus trabalhadores, funciona mais como um imperativo. As informações são do Jacobin Magazine.
Apesar de ser o mantra não-oficial do trabalho na pós-modernidade, este suposto inofensivo lema carrega em si uma função muito mais perigosa. Ele desvaloriza o trabalho, retira seu status e impossibilita que os trabalhadores peçam melhorias em suas condições de trabalho, indo um pouco mais além, ele também desumaniza toda uma categoria de trabalhadores em cargos sem exercício intelectual/criativo.
Este mantra, segundo Miya Tokumitsu, direciona o trabalhador para a busca da felicidade individual[4], o fazendo esquecer que, enquanto trabalhador, não está sozinho na sociedade, mas tem responsabilidades de classe com os outros trabalhadores, quer ele goste do trabalho ou não. Este mantra retira o olhar coletivo do trabalho e privilegia unicamente algumas poucas categorias de trabalhadores, já que, quando se repete incessantemente que o trabalho deve ser amado e que se deve trabalhar com o que se ama, o que se diz é que o trabalho não é algo que deve ser feito por uma compensação (como o salário), mas deve ser feito como um “ato de amor-próprio”.
Um dos mártires deste mantra é o mais-que-conhecido Steve Jobs. Em um discurso para a turma de formandos de 2005[5], na Universidade de Stanford, ele diz mais ou menos o seguinte:
“Vocês precisam achar o que vocês amam. E isso é verdade para seu trabalho e para aquiles que você ama. Seu trabalho irá preencher uma grande parte da sua vida e a única maneira de estar plenamente satisfeito é fazendo algo que você acredita ser um bom trabalho. E o único jeito de conseguir trabalhar bem é fazendo o que você ama”.
As palavras “você” e “seu” são repetidas oito vezes, como Tokumitsu atesta. O discurso é inteiramente centrado no “eu”. O indivíduo e sua felicidade que só pode ser alcançada individualmente.
A Apple seria um desses lugares que te fazem amar o trabalho. Seria um desses lugares em que o trabalho amado é valorizado, entretanto, por trás de uma Apple, existe uma montanha de trabalhadores mal-remunerados que com certeza não têm espaço nessa compreensão do trabalho enquanto amor-próprio.
Pior ainda, essa noção do trabalho que precisa ser amado e do trabalhador que precisa amá-lo cria divisões dentro da própria classe trabalhadora, até mesmo a liquefaz, já que elimina a noção do trabalho enquanto produção coletiva e o substitui pela noção do trabalho parte de um projeto individual de felicidade. Os trabalhadores que estão incluídos na categoria que pode “amar” seu trabalhos, são os trabalhadores de colarinho branco, os trabalhadores de escritório e de trabalho criativo. O restante não é incluso neste mantra. Nem podem, afinal, o alcance da felicidade individual só é uma busca de fato para aqueles que podem se adaptar à sociedade de consumo.
Há também a questão dos péssimos salários de pesquisadores e as péssimas bolsas nas universidade. Quem são os mais afetados pela ideologia do amor ao trabalho? Justamente aqueles que deveriam fazer seu trabalho como uma vocação por excelência. Os professores universitários, pesquisadores e bolsistas em geral estão cada vez mais próximos da miserabilidade em suas profissões. Professores em geral já vivem nesta lástima. Como um professor pode exigir melhores salários quando o lema de sua profissão é o amor?
Tokumitsu retrata uma estratégia em algumas empresas “cools” em fazer do próprio ambiente de trabalho uma possibilidade de felicidade para o empregado. Ou seja, empresas de publicidade, moda, empresas do momento, empresas “cools”, pagam salários mais baixos pois oferecem um espaço para que o empregado alcance o máximo possível de seu amor pelo trabalho.
As atividades relacionadas com as artes recebem esta pressão, pois a arte não pode, em nenhum circunstância, ser do mercado. A arte precisa ser regida pelas regras da arte. A aproximação do trabalhador que ama seu trabalho com o artista que pertence ao campo da arte é óbvia. Não se deve reclamar dos aspectos econômicos, muitas vezes a pobreza é até mesmo um bom símbolo para aquele que “ama” o que faz.
O sujeito que está dentro do espaço social reclamado pelo mantra do amor ao trabalho é coagido a trabalhar e a amar seu trabalho![6] Além de te que trabalhar, ele precisa gostar do que faz! Nem mesmo a liberdade de se rebelar está disponível.
O trabalhado revertido em “amor” acaba com a possibilidade de observá-lo enquanto exploração. O paradigma da funcionalidade complementar não é absorvido pelos funcionários, ou seja, não importa, para eles, se os funcionários e o patrão vivem em uma cooperação, mas o paradigma do antagonismo também não é absorvido, pois eles não acham que o patrão é uma figura oposta. No fundo, o paradigma da felicidade individual anula estes dois para o funcionário e deixa o caminho livre para o paradigma funcionalista por parte das empresas.
Ou seja, o imperativo da felicidade individualiza ao máximo e impossibilita que o engajamento na esfera econômica seja de produtores, mas incita que, no máximo, haja pequenos eventos coletivo de consumo. O trabalho é tido como algo que permite comprar, por que é dele que se ganha o dinheiro – o trabalho deixa de ser o labor para se tornar o amor. Mas só os cosmopolitas das universidades de comunicação, moda, administração e correlatos podem amar seus trabalhos.
Quem precisa do trabalho para pagar contas está fora deste mundo legítimo. O trabalho legítimo passa a ser aquele que você faz por que ama, então não é nem mesmo correto moralmente discutir salários. As greves perdem seu sentido na hora e toda negociação salarial coloca em risco o status de “amante do trabalho” que alguém pode ter. Todos os trabalhadores que estão fora do mundo de trabalho intelectual ficam na marginalidade por que, de fato, é na marginalidade que eles devem ficar para a globalização.
São os funcionários informatizados, criativos, que devem ter um tratamento diferenciado, pois são a superfície feliz e privilegiada do sistema capitalista global. São os satisfeitos. Enquanto isso, todo o mar de trabalhadores explorados até a última gota de suor precisa ser escondido e deslegitimado. A luta trabalhista vira uma luta de “gente que não sabe o que é trabalho”.
Notas
[1] Artigo publicar originalmente no Colunas Tortas em: https://colunastortas.wordpress.com/2014/05/20/o-mantra-maligno-do-ame-o-que-voce-faz-faca-o-que-voce-ama/
[2] https://colunastortas.wordpress.com/2014/05/15/o-que-e-pos-modernidade-resumo-de-uma-falencia-da-modernidade/
[3] https://colunastortas.wordpress.com/2014/02/05/o-que-e-alienacao-em-marx/
[4] https://colunastortas.wordpress.com/2013/08/07/amor-liquido-zygmunt-bauman-uma-resenha/
[5] https://www.youtube.com/watch?v=UF8uR6Z6KLc
[6] http://www.lrb.co.uk/v21/n06/slavoj-zizek/you-may
*Disponível em "http://ofatoeahistoria.webnode.com/news/o-mantra-maligno-do-%E2%80%9Came-o-que-voc%C3%AA-faz,-fa%C3%A7a-o-que-voc%C3%AA-ama%E2%80%9D/". Acesso em: 02 de Junho de 2014.
Apesar de ser o mantra não-oficial do trabalho na pós-modernidade, este suposto inofensivo lema carrega em si uma função muito mais perigosa. Ele desvaloriza o trabalho, retira seu status e impossibilita que os trabalhadores peçam melhorias em suas condições de trabalho, indo um pouco mais além, ele também desumaniza toda uma categoria de trabalhadores em cargos sem exercício intelectual/criativo.
Este mantra, segundo Miya Tokumitsu, direciona o trabalhador para a busca da felicidade individual[4], o fazendo esquecer que, enquanto trabalhador, não está sozinho na sociedade, mas tem responsabilidades de classe com os outros trabalhadores, quer ele goste do trabalho ou não. Este mantra retira o olhar coletivo do trabalho e privilegia unicamente algumas poucas categorias de trabalhadores, já que, quando se repete incessantemente que o trabalho deve ser amado e que se deve trabalhar com o que se ama, o que se diz é que o trabalho não é algo que deve ser feito por uma compensação (como o salário), mas deve ser feito como um “ato de amor-próprio”.
Um dos mártires deste mantra é o mais-que-conhecido Steve Jobs. Em um discurso para a turma de formandos de 2005[5], na Universidade de Stanford, ele diz mais ou menos o seguinte:
“Vocês precisam achar o que vocês amam. E isso é verdade para seu trabalho e para aquiles que você ama. Seu trabalho irá preencher uma grande parte da sua vida e a única maneira de estar plenamente satisfeito é fazendo algo que você acredita ser um bom trabalho. E o único jeito de conseguir trabalhar bem é fazendo o que você ama”.
As palavras “você” e “seu” são repetidas oito vezes, como Tokumitsu atesta. O discurso é inteiramente centrado no “eu”. O indivíduo e sua felicidade que só pode ser alcançada individualmente.
A Apple seria um desses lugares que te fazem amar o trabalho. Seria um desses lugares em que o trabalho amado é valorizado, entretanto, por trás de uma Apple, existe uma montanha de trabalhadores mal-remunerados que com certeza não têm espaço nessa compreensão do trabalho enquanto amor-próprio.
Pior ainda, essa noção do trabalho que precisa ser amado e do trabalhador que precisa amá-lo cria divisões dentro da própria classe trabalhadora, até mesmo a liquefaz, já que elimina a noção do trabalho enquanto produção coletiva e o substitui pela noção do trabalho parte de um projeto individual de felicidade. Os trabalhadores que estão incluídos na categoria que pode “amar” seu trabalhos, são os trabalhadores de colarinho branco, os trabalhadores de escritório e de trabalho criativo. O restante não é incluso neste mantra. Nem podem, afinal, o alcance da felicidade individual só é uma busca de fato para aqueles que podem se adaptar à sociedade de consumo.
Faça o que ama, ame o que faz
Baixa de salários
Há também a questão dos péssimos salários de pesquisadores e as péssimas bolsas nas universidade. Quem são os mais afetados pela ideologia do amor ao trabalho? Justamente aqueles que deveriam fazer seu trabalho como uma vocação por excelência. Os professores universitários, pesquisadores e bolsistas em geral estão cada vez mais próximos da miserabilidade em suas profissões. Professores em geral já vivem nesta lástima. Como um professor pode exigir melhores salários quando o lema de sua profissão é o amor?
Tokumitsu retrata uma estratégia em algumas empresas “cools” em fazer do próprio ambiente de trabalho uma possibilidade de felicidade para o empregado. Ou seja, empresas de publicidade, moda, empresas do momento, empresas “cools”, pagam salários mais baixos pois oferecem um espaço para que o empregado alcance o máximo possível de seu amor pelo trabalho.
As atividades relacionadas com as artes recebem esta pressão, pois a arte não pode, em nenhum circunstância, ser do mercado. A arte precisa ser regida pelas regras da arte. A aproximação do trabalhador que ama seu trabalho com o artista que pertence ao campo da arte é óbvia. Não se deve reclamar dos aspectos econômicos, muitas vezes a pobreza é até mesmo um bom símbolo para aquele que “ama” o que faz.
O sujeito que está dentro do espaço social reclamado pelo mantra do amor ao trabalho é coagido a trabalhar e a amar seu trabalho![6] Além de te que trabalhar, ele precisa gostar do que faz! Nem mesmo a liberdade de se rebelar está disponível.
E nunca mais fará uma greve.
O trabalhado revertido em “amor” acaba com a possibilidade de observá-lo enquanto exploração. O paradigma da funcionalidade complementar não é absorvido pelos funcionários, ou seja, não importa, para eles, se os funcionários e o patrão vivem em uma cooperação, mas o paradigma do antagonismo também não é absorvido, pois eles não acham que o patrão é uma figura oposta. No fundo, o paradigma da felicidade individual anula estes dois para o funcionário e deixa o caminho livre para o paradigma funcionalista por parte das empresas.
Ou seja, o imperativo da felicidade individualiza ao máximo e impossibilita que o engajamento na esfera econômica seja de produtores, mas incita que, no máximo, haja pequenos eventos coletivo de consumo. O trabalho é tido como algo que permite comprar, por que é dele que se ganha o dinheiro – o trabalho deixa de ser o labor para se tornar o amor. Mas só os cosmopolitas das universidades de comunicação, moda, administração e correlatos podem amar seus trabalhos.
Quem precisa do trabalho para pagar contas está fora deste mundo legítimo. O trabalho legítimo passa a ser aquele que você faz por que ama, então não é nem mesmo correto moralmente discutir salários. As greves perdem seu sentido na hora e toda negociação salarial coloca em risco o status de “amante do trabalho” que alguém pode ter. Todos os trabalhadores que estão fora do mundo de trabalho intelectual ficam na marginalidade por que, de fato, é na marginalidade que eles devem ficar para a globalização.
São os funcionários informatizados, criativos, que devem ter um tratamento diferenciado, pois são a superfície feliz e privilegiada do sistema capitalista global. São os satisfeitos. Enquanto isso, todo o mar de trabalhadores explorados até a última gota de suor precisa ser escondido e deslegitimado. A luta trabalhista vira uma luta de “gente que não sabe o que é trabalho”.
Notas
[1] Artigo publicar originalmente no Colunas Tortas em: https://colunastortas.wordpress.com/2014/05/20/o-mantra-maligno-do-ame-o-que-voce-faz-faca-o-que-voce-ama/
[2] https://colunastortas.wordpress.com/2014/05/15/o-que-e-pos-modernidade-resumo-de-uma-falencia-da-modernidade/
[3] https://colunastortas.wordpress.com/2014/02/05/o-que-e-alienacao-em-marx/
[4] https://colunastortas.wordpress.com/2013/08/07/amor-liquido-zygmunt-bauman-uma-resenha/
[5] https://www.youtube.com/watch?v=UF8uR6Z6KLc
[6] http://www.lrb.co.uk/v21/n06/slavoj-zizek/you-may
*Disponível em "http://ofatoeahistoria.webnode.com/news/o-mantra-maligno-do-%E2%80%9Came-o-que-voc%C3%AA-faz,-fa%C3%A7a-o-que-voc%C3%AA-ama%E2%80%9D/". Acesso em: 02 de Junho de 2014.
23 de mai. de 2014
JUIZ AFIRMA QUE A FÉ AFRO-BRASILEIRA NÃO É RELIGIÃO
No mês de maio de 2014, em meio a todo o clima de manifestações e
greves, o que voltou a atenção da sociedade para discussões políticas -
principalmente os objetivos e métodos de como se deve fazer uma greve - fomos
pegos de surpresa por algo que fugiu aos padrões das discussões. A intolerância
religiosa novamente tomou posicionamento.
| Juiz Eugênio Rosa de Araújo |
O Juiz Federal da 17ª Vara Federal, Eugênio Rosa de Araujo, se
posicionou de forma contrária a uma decisão do Ministério Público Federal sobre
a retirada de vídeos ofensivos no site Youtube feitos por neo pentecostais aos
praticantes de religiões afro-brasileiras. A justificativa do juiz foi a de que
“manifestações religiosas afro-brasileiras não se constituem religião”.
Essa decisão explodiu revolta não apenas entre os praticantes da
Umbanda e do Candomblé, mas entre seus simpatizantes e parte da sociedade que
compreende a importância de tais religiões na formação da cultura brasileira.
Tais revoltas se manifestaram em atos de rua, com o posicionamento da mídia a
favor da opinião pública e de discussões via rede de comunicações por internet,
o que fez com que o MPF pressionasse o juiz Eugênio, fazendo-o voltar atrás
sobre seu posicionamento.
Os argumentos do Juiz Federal nos mostra que o perigo da intolerância
religiosa está para além da existência de líderes religiosos extremistas nos
cargos políticos. Essa argumentação usou um discurso técnico, ou seja, sem fala
religiosa, o que prova que a própria formação da política brasileira se
constrói sobre preconceito cultural, valorizando muito mais formas de culto de
base europeia.
| Toda solidariedade as religiões afro-brasileiras! |
Nós da UJC percebemos que o posicionamento de uma figura pública de
alto escalão sobre uma temática tão polemica está presente no contexto de uma
sociedade rigidamente hierarquizada. Essa mesma sociedade se vê desesperada com
o aumento da voz política e da luta das classes marginalizadas e
majoritariamente negras, que estão expondo seu cotidiano e práticas culturais
por conta própria, não mais dependendo da aprovação da “moral e dos bons
costumes” dos burgueses.
Nisso, lutamos juntos por uma cultura popular independente das
exigências burguesas que as modificam para que sejam consideradas civilizadas,
gerando o ódio pelo racismo e pelo preconceito de classe. Para isso, temos em
mãos uma série de questões que devem ser debatidas e praticadas, principalmente
sobre os caminhos a serem seguidos para a ampliação da liberdade de expressão.
Só assim conseguiremos fazer com que não apenas as religiões
afro-brasileiras, mas o funk, o hip-hop, o grafite, as rádios comunitárias, a
capoeira e demais atividades de caráter popular consigam construir seus
próprios caminhos. Só assim podemos educar a sociedade para a compreensão sobre
a intensa e complexa rede de práticas culturais diferentes que constroem nossa
sociedade e o quanto elas precisam ser livres para se desenvolverem, sem a
ganância por lucro e controle político da burguesia moralista e capitalista.
Texto do camarada Gabriel M., professor de História e
membro do Núcleo Elizeu Alves de Jovens Trabalhadores do Rio de Janeiro
28 de abr. de 2014
Às ruas construir o Primeiro de Maio do Trabalhador!
No dia do jovem trabalhador, 24 de Abril, mais uma vez a União da Juventude Comunista vai às ruas dizer não a precarização e a descartabilidade da juventude. Somamos nossas forças com a classe trabalhadora para construir um 1º de Maio forte e unificado contra os patrões e as centrais que venderam o dia do trabalhador para realizar uma "grande festa". Mostramos nas ruas que não existe "dia do 'Trabalho'', como é vendido pela mídia e os grandes empresários, e que a causa do aumento da greves é a crise mundial do capitalismo. Precisamos da unidade da juventude e de levantar bem alto a bandeira vermelha da luta.
PASSEATA DO DIA DO TRABALHADOR:
DIA 01/05 - 10 horas no ponto de ônibus em frente à FIO CRUZ
Endereço:( Av. Brasil, 4365 - Manguinhos )
PASSEATA DO DIA DO TRABALHADOR:
DIA 01/05 - 10 horas no ponto de ônibus em frente à FIO CRUZ
Endereço:( Av. Brasil, 4365 - Manguinhos )
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