3 de out. de 2014

Encerramento da campanha de Mauro Iasi tem ampla participação da juventude.

           A juventude, ontem, dia 02/10, participou ativamente com alunos da UERJ e convidados do último debate de campanha para presidente da república da candidatura de Mauro Iasi - PCB. A candidatura foi recebida calorosamente pela juventude que encheu o auditório 111 da universidade. Estiveram presentes cerca de 150 pessoas.


         Agradecemos a presença de todos e fica o convite para dia 08/10 às 18:00 no Hall do Queijo da UERJ, onde haverá uma apresentação da UJC para interessados. Quem for também poderá levar amigos e contatos interessados em construir a luta emancipatória da classe trabalhadora.


         A participação da juventude na campanha à presidência foi fundamental para levarmos às massas o programa da revolução socialista e do Poder Popular. Essa campanha mostrou que a esquerda combativa e revolucionária está disposta e ativamente lutando para construir uma verdadeira Frente de Esquerda, para além das eleições e das siglas registradas no TRE, que possa construir lutas no dia-a-dia rumo à vitória final da classe trabalhadora.
         Saudamos os candidatos à presidência de esquerda Rui Costa Pimenta, Luciana Genro e Zé Maria. Com orgulho não deixamos nem esquecemos de mencionar todos os candidatos da esquerda. Por fim, pedimos seu voto para Mauro Iasi, número eleitoral "21", lutando pelo Poder Popular e por um Brasil socialista.

1 de out. de 2014

Outubro… ou nada!

Mauro Luis Iasi
Uma família de nobres voltava a São Petersburgo com seus inúmeros filhos e malas volumosas. Havia se retirado em fevereiro para fugir dos acontecimentos trágicos que haviam derrubado o Czar e não havia acompanhado o desenvolvimento político que levara os trabalhadores ao poder em outubro. Pateticamente parada na plataforma e acostumada com um servilhismo milenar, esperava que algum carregador implorasse para levar as bagagens da família em troca de alguns míseros copeques.
Depois de esperar em vão por um bom tempo, um criado (nobres não se dignavam a falar com pobres) vai buscar informações e ouve a seguinte resposta: “agora somos livres, se quiser carregue suas malas”!
Era a grande revolução de Outubro que emergia lá de onde costuma vir as coisas dos explorados, da periferia, das sombras esquecidas sob a ofuscante aparência de riqueza das sociedades opulentas, dos cantos obscuros que o olhar hipócrita quer esquecer ou incorpora como normal. Em meio à tragédia da guerra, a barbárie em sua forma mais didática, a vida resistia e se levantava contra a fome e a morte.
A Revolução Russa marcou de forma definitiva a história do século XX em muitas áreas (ver a coletânea organizada por Milton Pinheiro – Outubro e as experiências socialistas do século XX  – Salvador: Quarteto, 2010), como acontecimento político, como experiência histórica de um Estado Proletário, como base de transformações econômicas fundadas na socialização dos meios de produção, nas práticas do planejamento, como influência política direta nos rumos do movimento comunista internacional e a formação de estratégias e táticas do movimento revolucionário mundial.
Não podemos esquecer sua importância no desenvolvimento da cultura (é só pensar em Vladimir Maiakoviski na poesia e Sergei Eisenstein para o cinema), o ulterior desenvolvimento da música (Prokofiev, Straviski) e dança, das ciências (Luria, Vigotski, Bakthin, e tantos outros), o desenvolvimento técnico e científico (Sakharov, Andréi Kolmogórov, etc.). No entanto, quisera me deter numa outra dimensão.
Certos acontecimentos históricos despertam algo um pouco mais intangível que suas manifestações econômicas, políticas, culturais e técnico-científicas. A revolução russa se espalhou pelo mundo, sem internet e televisão, numa velocidade que precisa ser compreendida. Não apenas se expandiu enquanto processo revolucionário que em menos de seis meses havia saído da Europa oriental e chegado ao mar do Japão, se alastrado como fogo em palha pelo antigo império czarista, como atravessou o oceano e incendiou o coração e as esperanças dos trabalhadores das partes mais distantes do globo.
Em uma foto de grevistas em um porto nos EUA na mesma época pode se ver ao fundo uma faixa na qual se lê: “façamos como nossos irmãos russos”. No Brasil as greves operárias se alastravam até a greve geral de 1917 e a Revolução russa foi saudada pelo movimento anarco-sindicalista como expressão da revolução libertária enquanto emissários eram mandados para lá para colher informações e prestar solidariedade. Poucos anos depois, nos anos vinte, quando o caráter marxista da experiência soviética se torna evidente, distanciando-se, portanto, dos princípios anarquistas, forma-se um movimento comunista que não tem paralelo com nenhum outro por sua escala mundial, sua forma de organização e sua ação.
Partidos Comunistas são formados em toda a América Latina, assim como em quase todos os mais distantes rincões do planeta, dos EUA até a China. Evidente que a formação da União Soviética e da III Internacional Comunista explicam a iniciativa e mais, a necessidade, de uma organização internacional, mas não sua aceitação e rápido desenvolvimento. Há elementos objetivos e subjetivos que precisam ser levados em conta.
Os objetivos são por demais conhecidos e podem ser resumidos na própria internacionalização do modo de produção capitalista e sua transformação em imperialismo, mas não podemos compreender a dimensão desse fenômeno sem entender que a revolução soviética foi um evento catalisador de esperanças de todos os explorados.
Como nos dizia Marx para que se forje uma classe revolucionária é necessário que se manifeste uma classe que se apresente como um entrave de caráter universal, ao mesmo tempo em que outra consiga expressar através de sua particularidade os contornos de uma emancipação universal. Falando da Alemanha, Marx afirmava que faltava: “grandeza de alma, que, por um momento apenas, os identificaria com a alma popular, a genialidade que instiga a força material ao poder político, a audácia revolucionária que arremessa ao adversário a frase provocadora: Nada sou e serei tudo.” (Marx, K. Crítica à filosofia do Direito de Hegel. São Paulo, Boitempo: 2005: 154).
Não se trata de nenhum deslize idealista, mas de exata combinação de fatores que dada certas condições materiais, que sem dúvida a guerra mundial propiciava, cria uma equação na qual uma classe encontra as condições de sua fusão enquanto classe. Imersa na cotidianidade reificadora, submetida às condições da exploração os trabalhadores vivem seu destino como uma condição inescapável. Ainda que submetidos as mesmas condições que seus companheiros, não vivem estas condições como base para uma consciência e ação comuns, mas como uma serialidade, nos termos de Sartre. A vida é assim e é impossível mudá-la.
Em certas condições, no entanto, se produz uma situação na qual a realidade se impõe de tal forma que se torna impossível manter a impossibilidade de mudá-la, nas palavras de Sartre: “A transformação tem, pois, lugar quando a impossibilidade é ela mesma impossível, ou se preferirem, quando um acontecimento sintético revela a impossibilidade de mudar como impossibilidade de viver” (Sartre, J. Crítica de la razón dialéctica. Buenos Aires: Losada, 1979, v. 2, p.14). O pensador francês tem em mente os acontecimentos da crise da monarquia absolta que levou a eclosão da Revolução Francesa, mas vemos claramente esses elementos na crise do czarismo nas condições da guerra.
Interessa-nos, no entanto, outra dimensão desse fenômeno. Da mesma forma que um acontecimento sintético pode levar à fusão da classe e a superação de sua situação de serialidade, encontrando na ação do grupo as condições para abrir a possibilidade de superar o campo prático inerte, devemos supor que uma ação particular da magnitude de um processo revolucionário como o russo, provoca um efeito sobre os trabalhadores, mesmo aqueles que não estavam envolvidos direta e presencialmente nos acontecimentos.
Ernesto Che Guevara denominava isso de “consciência da possibilidade da vitória” e inclui entre as condições objetivas que torna possível uma revolução. Quando os trabalhadores vêem os revolucionários russos varrerem seus tiranos, quebra-se a impressão de naturalização e inevitabilidade com as quais revestiam suas condições de existência. É possível mudar, nada somos, mas podemos ser tudo.
Em um belo poema soviético é descrita a cena na qual uma camponesa que agora tinha acesso aos museus e suas obras de arte se detêm diante de um quadro a admirá-lo. A autora do poema então conclui: “mal sabia que ali era uma obra de arte a admirar outra”. Operários assumem as fábricas, as terras são entregues aos comitês agrários para serem repartidas. Soldados, operários, camponeses, marinheiros, lotam os teatros antes privativos da nobreza russa, para ouvir Maiakóviski recitar os poemas que retira dos bolsos de seu enorme casaco e de seu coração ainda maior.
Suspendemos por um instante as enormes dificuldades que viriam, a guerra civil, o isolamento, a burocratização e a degeneração que culminaria no desfecho histórico de 1989. Naquele momento de maravilhoso caos, a vida fluía não como processo que aprisiona os seres humanos nas cadeias do estranhamento, mas como livre fluir de uma práxis transformadora. Tudo pode ser mudado. Podemos criar as crianças de uma nova forma, e já vemos Makarenko e seu enorme coração abrigando os órfãos da guerra e reinventando a pedagogia, trabalhadores organizando as comissões de fábrica e Alexandra Kollontai olhando o mundo com os olhos de mulheres emancipadas.
Enquanto o mundo capitalista preparava-se para esmagar a experiência revolucionária russa (a república dos trabalhadores seria atacada em 1918 por dez potências estrangeiras), o generoso coração da classe trabalhadora acolhe esta experiência como sua e a defende, sem conhecê-la profundamente, sem que a compreenda de todo, mas por que nela se reconhece.
Paz, terra, pão e sonhos voavam pelo mundo que o capital havia tornado um só e mãos calejadas, duras como a terra que trabalham, os seguram e se alimentam da esperança dos que se levantaram contra seus opressores. Corpos exauridos pela chacina diária das fábricas caminham pelas ruas e olham em frente, levantam seus punhos e cantam a canção que os unia: se nada somos em tal mundo, sejamos tudo, ó produtores!
Em tempos como os nossos, de hipocrisia deliberada, em tempos de humanidade desumanizada, de cotidianidade reificada, a consciência da possibilidade da vitória se reverte em seu contrário e se manifesta novamente como uma consciência da impossibilidade da mudança. Brecht nos alerta: nada deve parecer natural, porque nada deve parecer impossível de mudar e completa em outro poema: até quando o mundo será governado por tiranos? Até quando iremos suportá-los?
Presos à nova serialidade, fragmentados e divididos, submetidos às novas cadeias de impossibilidades, escolhendo a cada quatro anos quem irá comandar sua exploração, nossa classe nem se lembra que teve um outubro e que fizemos a terra tremer e que os poderosos perderam o sono diante da iminência de seu juízo final.
Diante da realidade do capital internacional que ameaça a humanidade, diante da barbárie diária que ameaça minha classe, gestam-se novas impossibilidades de manter os limites do possível, crises didáticas transformam em pó certezas neo e pós liberais arcaicos/modernos e suas irracionalidades racionais. O pólo da negatividade humana se reapresenta arrogante e prepotente. Muitos são os que se levantam ainda sem rumo, não importa, que se levantem e gritem, resistam e lutem. Mas, em sua marcha olhando para o futuro, resistindo contra as mazelas do presente desumano do capital, olhem por um momento para trás, vejam como já marchavam à nossa frente nossos camaradas russos, vejam como iam decididos e corajosos abrindo caminho em direção ao amanhã.
Marchemos para frente, tiremos nossa poesia do futuro, basta de anacronias e cópias do passado, mas não nos esqueçamos nunca que tivemos um Outubro, e foi nosso, e foi um grande Outubro vermelho e proletário, e foi tão grande que foi planetário, e foi tão generoso e fraterno que nele se irmaram todos os trabalhadores do mundo e chegaram a acreditar que tudo podia mudar e, por um momento, mudaram tudo que podiam.
Viva a revolução Soviética de 1917. Outubro… ou nada!

6 de set. de 2014

Amanhã às 9:00 ! Grito dos Excluídos 2014.

O que é?*

O Grito dos Excluídos é uma manifestação popular carregada de simbolismo, é um espaço de animação e profecia, sempre aberto e plural de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos.
O Grito é uma descoberta, uma vez que agentes e lideranças apenas abrem um canal para que o Grito sufocado venha a público.

O Grito brota do chão e encontra em seus organizadores suficiente sensibilidade para dar-lhe forma e visibilidade. O Grito não tem um “dono”, não é da Igreja, do Sindicato, da Pastoral; não se caracteriza por discursos de lideranças, nem pela centralização dos seus atos; o ecumenismo é vivido na prática das lutas, pois entendemos que os momentos e celebrações ecumênicas são importantes para fortalecer o compromisso.



Todos os lutadores sociais amanhã na esquina da Uruguaiana com a Presidente Vargas!
Ocupar as ruas e as praças por liberdade e direitos!
Pelo poder popular!

Link para o evento no Facebook:
https://www.facebook.com/events/427383097400534/?fref=ts

*"O que é?" foi retirado de: http://www.gritodosexcluidos.org/historia/

11 de ago. de 2014

“Diz que é comunista mas usa Iphone!”. Mas o telefone celular foi inventado por um comunista!



 “Diz que é comunista mas usa um Iphone!”. Quem nunca escutou esta frase, geralmente em tom histérico ou irônico, deste ou daquele direitista ignorante metido a conhecedor da história e da obra de Marx? A revelação que fará este artigo deixará a muitos puxa-sacos dos capitalistas inquietos, talvez até irritados. Certamente, ao usar um clichê tão ridículo, eles ignoram que uma invenção que estão acostumados a usar foi concebida originalmente em um país socialista.

Segundo a lenda, “o primeiro telefone celular foi inventado nos EUA”. Ela insiste em que em 3 de abril de 1973, o diretor da companhia Motorola, Martin Kutcher, apresentou em Manhattan um dispositivo de telefonia móvel em uma exposição. Até 1979, a Travel Eletronics não passaria a comercializá-lo. Pesava quase 1 kg e seu valor era de aproximadamente uns $3700,00. O custo da conexão era de 24 a 40 centavos por minuto.

Qualquer um que busque algo relacionado com o nome de Leonid Ivanovich Kupriyanovich se dará conta de que apenas sabe uma parte da história. O inventor comunista russo era um famoso engenheiro, conhecido por suas invenções na área de comunicação. Em 1955, publicou em uma revista científica para amantes do rádio uma descrição de seu aparato walkie-talkie, capaz de fazer conexões de até 1,5 km de distância. Pesava cerca de 1,2 kg e funcionava com dois tubos de vácuo.

Em 1957 apresentou a mesma versão de seu walkie-talkie, mas desta vez com um alcance de 2 km de distância e com um peso de 50 gramas. Mas o engenheiro comunista não se deteve aí, no mesmo ano apresentou o LK-1, um telefone celular que usava ondas de rádio, tinha um alcance de 20 a 30 km de distância e uma bateria que durava de 20 a 30 horas. O dispositivo manual pesava cerca de 3 kg e dependia de uma estação. Segundo Leonid Ivanovich, a estação podia servir a vários clientes ao mesmo tempo. O inventor soviético patenteou seu telefone celular em 1957 (Certificado nº115494, 1.11.1957). Em 1958, no instituto de investigação Científica de Voronej (VNIIS), Kupriyanovich começou a busca por um sistema próprio de comunicação móvel. Suas descobertas científicas eram constantemente publicados na revista mais famosa sobre tecnologia editada na União Soviética, a “Nauza i Jizn” (Ciência e Vida).

Kupriyanov experimenta o seu LK-1 enquanto lê um livro em um carro

Em 1958, Leonid Kupriyanovich foi mais além, encolhendo sua invenção a um tamanho suficientemente pequeno para levar no bolso. O aparato do engenheiro comunista não só permitia fazer conexões como também recebê-las de telefones residenciais e de cabines telefônicas. Tinha aproximadamente o tamanho de um pacote de cigarro, como a maioria dos telefones celulares atuais.

Kupriyanovich testa e exibe sua invenção: o aparelho celular

Em 1961, o engenheiro comunista da União Soviética desenvolveu um dispositivo ainda menor, que cabia na palma da mão e tinha um alcance de mais de 30 km. No mesmo ano foi planejada a fabricação deste objeto em grande escala, segundo uma entrevista dada por Leonid à agência de notícias APN. O inventor também falou sobre o plano de construir estações de telefonia móvel.

Celulares nas décadas de 50 e posteriores na URSS, compatíveis com uma capa ou terno

O primeiro dispositivo de telefonia móvel nacional acabou sendo o “Altay”, distribuído comercialmente a partir de 1963, e em 1970 já estava presente em mais de 114 cidades da URSS. Muitos de seus dispositivos foram inicialmente empregados pelo mundo médico, em hospitais e depois por taxis no país. O sistema foi usado em países do Leste Europeu como Bulgária e exibido na exposição internacional Inforga-65.
Então, da próxima vez que vier alguém dizendo isso de que “um comunista de verdade não usa telefone celular” ou que “o Iphone é capitalista”, faça o favor de lembrá ao pobre ignorante que a invenção que usa foi criada pelo comunista Leonid Ivanovich Kupriyanovich e que se criou na URSS e não nos EUA. Sua patente é uma prova disso.

Patente-da-invencao-de-Kupriyanov

Estes argumentos escatológicos são facilmente refutados com investigação e leitura, com o conhecimento dos clássicos do marxismo-leninismo, que revelam que seus mestre sempre se mostraram favoráveis à tecnologia. Karl Marx escreveu na “Crítica ao programa de Gotha” que era necessário que os trabalhadores desfrutassem de conforto material no socialismo. Marx e Engels eram entusiastas do progresso industrial, mas condenaram os métodos pelos quais foi alcançado. Lenin era um entusiasta da tecnologia, e em sua obra política enfatiza que o comunismo dependeria do poder soviético mais a eletrificação de todo o país ( a eletricidade era, então, talvez a mais avançada forma de tecnologia humana em sua época). A era de Stalin permitiu ao homem e à mulher soviético(a) dominar a força que gera o sol, a energia nuclear. Che Guevara, aluno deste último, costumava apresentar a democratização da tecnologia como uma das definições do socialismo. Logo, longe de ser proibido ao operário ter um Ipad ou um Iphone, este pode ficar com a consciência tranquila de que é plenamente comunista levar um telefone celular (especialmente se tiver um fundo de tela comunista para irritar aos anticomunistas), uma invenção de um gênio comunista soviético que facilita e dinamiza as telecomunicações.

Fontes de pesquisa:
- Muzey Oborony Mozga (Museo de la defensa del cerebro). El teléfono soviético de Kupriyanov. Disponible en: http://brainexpo.livejournal.com/8873.html
- El primer teléfono móvil del mundo. Artículo de la página web “Rossii”. Disponible en: http://www.opoccuu.com/pervyj-mobilnik.htm
- El 9 de abril de 1957, na URSS, fue construido el primer telefóno móvil del mundo. Artículo de la página web “Za russkoe”. Disponible en: http://www.zrd.spb.ru/news/2013-01/news-0286.htm
- WIKIPEDIA. Artículo biográfico de Leonid Ivanovich Kupriyanovich. Disponible en: http://ru.wikipedia.org/wiki/%D0%9A%D1%83%D0%BF%D1%80%D0%B8%D1%8F%D0%BD%D0%BE%D0%B2%D0%B8%D1%87,_%D0%9B%D0%B5%D0%BE%D0%BD%D0%B8%D0%B4_%D0%98%D0%B2%D0%B0%D0%BD%D0%BE%D0%B2%D0%B8%D1%87

(Tradução: JCA. Por Cultura Proletária)

9 de ago. de 2014

Você sabia que no Brasil você ainda pode ser julgado por um Tribunal Militar?

Qualquer civil pode virar réu da justiça militar caso seja acusado de desacato ou outras formas de insubordinação contra membros das Forças Armadas.

A boa notícia é que a Procuradoria Geral da República entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal para acabar com esse absurdo e o voto do STF deve ocorrer ainda esse ano!

Sabemos que os militares não querem abrir mão de privilégios e já estão se articulando para pressionar os ministros do STF.

SAIBA MAIS EM: http://desmilitarizacaodajustica.meurio.org.br/

A JUSTIÇA MILITAR DA UNIÃO É...

Injusta
Obedece a Códigos impostos em 1969, auge da Ditadura

Cara
O custo médio de cada processo é 55 vezes mais alto que na Justiça Federal

Improdutiva
Cada juíz julga em média 47 processos por ano, contra 1.751 na Justiça Federal

Feita para condenar
A defesa só pode chamar 3 testemunhas: a acusação pode chamar até 6


HISTÓRIA REAL: T. R, 26 ANOS, AGREDIDA POR MILITARES E CONDENADA A 6 MESES DE PRISÃO

Complexo do Alemão, 2011. Era madrugada quando T.R, então com 22 anos, saiu de casa para ajudar seu vizinho, que gritava por socorro enquanto era colocado em um jipe por militares. Sem entender o que acontecia, ela pediu para falar com ele, mas recebeu em troca um tiro de borracha no pé esquerdo, 3 dedos quebrados, e uma prisão.

No hospital onde foi atendida naquele dia, T se recusou a assinar um papel em branco apresentado por um oficial militar. Teve voz de prisão e foi acusada de desacato e outros crimes.

T. foi condenada a 6 meses de prisão pela primeira instância da Justiça Militar da União, que usou testemunhos de militares do próprio grupamento que a agrediu. O Superior Tribunal Militar manteve a decisão, e T. cumpre pena em regime aberto.

Os militares envolvidos no caso não foram processados.


EM TODAS AS INSTÂNCIAS, MILITARES DA ATIVA CONTROLAM A DECISÃO

Passo 1:
O cidadão é acusado de crime militar por um membro das Forças Armadas. Ele será julgado pela primeira instância da Justiça Militar da União.

1ª Instância
- O civil é julgado por 5 juízes, dos quais:
- Quatro são militares da ativa, sem exigência de formação jurídica.
- Um civil concursado, formado em direito.

Passo 2:
Após sentença, a parte insatisfeita pode recorrer da decisão. Assim, o caso será analisado pelo Superior Tribunal Militar (STM).

2ª Instância
- O civil enfrenta o STM formado por 15 juízes, dos quais:
- 10 são militares da ativa, de alta patente como general, brigadeiro e almirante. E também não precisam ter formação jurídica.
- Cinco são civis concursados, formados em direito.

Passo 3:
Ao contrário da Justiça Federal, onde caberia mais um recurso antes do Supremo, na Justiça Militar da União isso não é possível.


INOCENTES PODEM FACILMENTE ACABAR NO BANCO DE RÉUS

Qualquer pessoa acusada de cometer crime contra militares ou instituições militares federais pode ser julgado por um Tribunal Militar da União, sem necessidade de validação de provas pela Justiça civil.

Com a ocupação militar de espaços urbanos, cidadãos convivem com abordagens truculentas de militares que se sentem protegidos por um sistema de Justiça no qual eles mesmos estão no comando.

Exemplos de ocupações militares e outros contextos em que forças militares foram utilizadas dentro de espaços urbanos incluem:



Fontes:
ADPF 289 na íntegra:
Pedido do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ ao STF para participação no processo da ADPF 289: https://drive.google.com/file/d/0BzUIovYgDwXVMDJRVWhseTFZQ0k/edit?usp=sharing
Código Penal Militar:
Código de Processo Penal Militar
Resumo dos principais argumentos técnico-jurídicos contra o julgamento de civis em tribunais militares: https://docs.google.com/a/meurio.org.br/document/d/1fU-7auGLXaZRxU3eAuavAR_6bQ4ol4hTnMnMWrI0HvY/edit
Tabela comparativa dos custos de processos da Justiça Militar da União e processos da Justiça Federal:
Pesquisa "JUSTIÇA EM NÚMEROS 2013" - CNJ. Usada como base para Tabela Comparatica dos custos de processos.: http://www.cnj.jus.br/images/stories/docs_cnj/resolucao/rescnj_76anexobii.pdf
Joaquim Barbosa critica gastos da Justiça Militar:
Exército no morro da Providência:
Forças Armadas assumem ocupação de 15 comunidades da Maré no Rio:
Moradores protestam após Exército matar homem em favela da Maré:
Militares ocupam favela de Santo Amaro:
Forças Armadas no Alemão:
Balanço da presença militar no Alemão:
Forças Armadas fazem segurança pública na Bahia:
Governo pede ajuda à Força Nacional e ao Exército para substituir PM em Pernambuco:
Força Nacional terá 10 mil agentes para contenção de protestos na Copa:
http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2014/01/03/forca-nacional-tera-tropa-de-choque-com-10-mil-agentes-na-copa-do-mundo.htm


7 de ago. de 2014

Boas notícias: EBSERH barrada no Conselho Universitário da UNIRIO.

Por que barrar a EBSERH? Saiba em em: http://www.contraprivatizacao.com.br/ - Fórum Nacional Contra a Privatização da Saúde

2 de jun. de 2014

O mantra maligno do “Ame o que você faz, faça o que você ama”*

O novo mantra do trabalho na pós-modernidade[2] é o “ame o que você faz, faça o que você ama”. Devemos amar o que fazemos para não percebermos que estamos trabalhando. Para, no fim das contas, não ser um trabalho, mas um prazer. O trabalho[3], por usa vez, deve ser aquilo que nós amamos – devemos fazer o que amamos e amar o que fazemos, a relação deve ser de duas vias. Entretanto, este mantra não é somente um conselho da pós-modernidade para seus trabalhadores, funciona mais como um imperativo. As informações são do Jacobin Magazine.

Apesar de ser o mantra não-oficial do trabalho na pós-modernidade, este suposto inofensivo lema carrega em si uma função muito mais perigosa. Ele desvaloriza o trabalho, retira seu status e impossibilita que os trabalhadores peçam melhorias em suas condições de trabalho, indo um pouco mais além, ele também desumaniza toda uma categoria de trabalhadores em cargos sem exercício intelectual/criativo.

Este mantra, segundo Miya Tokumitsu, direciona o trabalhador para a busca da felicidade individual[4], o fazendo esquecer que, enquanto trabalhador, não está sozinho na sociedade, mas tem responsabilidades de classe com os outros trabalhadores, quer ele goste do trabalho ou não. Este mantra retira o olhar coletivo do trabalho e privilegia unicamente algumas poucas categorias de trabalhadores, já que, quando se repete incessantemente que o trabalho deve ser amado e que se deve trabalhar com o que se ama, o que se diz é que o trabalho não é algo que deve ser feito por uma compensação (como o salário), mas deve ser feito como um “ato de amor-próprio”.

Um dos mártires deste mantra é o mais-que-conhecido Steve Jobs. Em um discurso para a turma de formandos de 2005[5], na Universidade de Stanford, ele diz mais ou menos o seguinte:

“Vocês precisam achar o que vocês amam. E isso é verdade para seu trabalho e para aquiles que você ama. Seu trabalho irá preencher uma grande parte da sua vida e a única maneira de estar plenamente satisfeito é fazendo algo que você acredita ser um bom trabalho. E o único jeito de conseguir trabalhar bem é fazendo o que você ama”.

As palavras “você” e “seu” são repetidas oito vezes, como Tokumitsu atesta. O discurso é inteiramente centrado no “eu”. O indivíduo e sua felicidade que só pode ser alcançada individualmente.

A Apple seria um desses lugares que te fazem amar o trabalho. Seria um desses lugares em que o trabalho amado é valorizado, entretanto, por trás de uma Apple, existe uma montanha de trabalhadores mal-remunerados que com certeza não têm espaço nessa compreensão do trabalho enquanto amor-próprio.

Pior ainda, essa noção do trabalho que precisa ser amado e do trabalhador que precisa amá-lo cria divisões dentro da própria classe trabalhadora, até mesmo a liquefaz, já que elimina a noção do trabalho enquanto produção coletiva e o substitui pela noção do trabalho parte de um projeto individual de felicidade. Os trabalhadores que estão incluídos na categoria que pode “amar” seu trabalhos, são os trabalhadores de colarinho branco, os trabalhadores de escritório e de trabalho criativo. O restante não é incluso neste mantra. Nem podem, afinal, o alcance da felicidade individual só é uma busca de fato para aqueles que podem se adaptar à sociedade de consumo.

Faça o que ama, ame o que faz

Baixa de salários

Há também a questão dos péssimos salários de pesquisadores e as péssimas bolsas nas universidade. Quem são os mais afetados pela ideologia do amor ao trabalho? Justamente aqueles que deveriam fazer seu trabalho como uma vocação por excelência. Os professores universitários, pesquisadores e bolsistas em geral estão cada vez mais próximos da miserabilidade em suas profissões. Professores em geral já vivem nesta lástima. Como um professor pode exigir melhores salários quando o lema de sua profissão é o amor?

Tokumitsu retrata uma estratégia em algumas empresas “cools” em fazer do próprio ambiente de trabalho uma possibilidade de felicidade para o empregado. Ou seja, empresas de publicidade, moda, empresas do momento, empresas “cools”, pagam salários mais baixos pois oferecem um espaço para que o empregado alcance o máximo possível de seu amor pelo trabalho.

As atividades relacionadas com as artes recebem esta pressão, pois a arte não pode, em nenhum circunstância, ser do mercado. A arte precisa ser regida pelas regras da arte. A aproximação do trabalhador que ama seu trabalho com o artista que pertence ao campo da arte é óbvia. Não se deve reclamar dos aspectos econômicos, muitas vezes a pobreza é até mesmo um bom símbolo para aquele que “ama” o que faz.

O sujeito que está dentro do espaço social reclamado pelo mantra do amor ao trabalho é coagido a trabalhar e a amar seu trabalho![6] Além de te que trabalhar, ele precisa gostar do que faz! Nem mesmo a liberdade de se rebelar está disponível.


E nunca mais fará uma greve.

O trabalhado revertido em “amor” acaba com a possibilidade de observá-lo enquanto exploração. O paradigma da funcionalidade complementar não é absorvido pelos funcionários, ou seja, não importa, para eles, se os funcionários e o patrão vivem em uma cooperação, mas o paradigma do antagonismo também não é absorvido, pois eles não acham que o patrão é uma figura oposta. No fundo, o paradigma da felicidade individual anula estes dois para o funcionário e deixa o caminho livre para o paradigma funcionalista por parte das empresas.

Ou seja, o imperativo da felicidade individualiza ao máximo e impossibilita que o engajamento na esfera econômica seja de produtores, mas incita que, no máximo, haja pequenos eventos coletivo de consumo. O trabalho é tido como algo que permite comprar, por que é dele que se ganha o dinheiro – o trabalho deixa de ser o labor para se tornar o amor. Mas só os cosmopolitas das universidades de comunicação, moda, administração e correlatos podem amar seus trabalhos.

Quem precisa do trabalho para pagar contas está fora deste mundo legítimo. O trabalho legítimo passa a ser aquele que você faz por que ama, então não é nem mesmo correto moralmente discutir salários. As greves perdem seu sentido na hora e toda negociação salarial coloca em risco o status de “amante do trabalho” que alguém pode ter. Todos os trabalhadores que estão fora do mundo de trabalho intelectual ficam na marginalidade por que, de fato, é na marginalidade que eles devem ficar para a globalização.

São os funcionários informatizados, criativos, que devem ter um tratamento diferenciado, pois são a superfície feliz e privilegiada do sistema capitalista global. São os satisfeitos. Enquanto isso, todo o mar de trabalhadores explorados até a última gota de suor precisa ser escondido e deslegitimado. A luta trabalhista vira uma luta de “gente que não sabe o que é trabalho”.


Notas
[1] Artigo publicar originalmente no Colunas Tortas em: https://colunastortas.wordpress.com/2014/05/20/o-mantra-maligno-do-ame-o-que-voce-faz-faca-o-que-voce-ama/

[2] https://colunastortas.wordpress.com/2014/05/15/o-que-e-pos-modernidade-resumo-de-uma-falencia-da-modernidade/

[3] https://colunastortas.wordpress.com/2014/02/05/o-que-e-alienacao-em-marx/

[4] https://colunastortas.wordpress.com/2013/08/07/amor-liquido-zygmunt-bauman-uma-resenha/

[5] https://www.youtube.com/watch?v=UF8uR6Z6KLc

[6] http://www.lrb.co.uk/v21/n06/slavoj-zizek/you-may

*Disponível em "http://ofatoeahistoria.webnode.com/news/o-mantra-maligno-do-%E2%80%9Came-o-que-voc%C3%AA-faz,-fa%C3%A7a-o-que-voc%C3%AA-ama%E2%80%9D/". Acesso em: 02 de Junho de 2014.